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Casamento

Publicado por admin em 06/02/2010 (84 leituras)
(terceira parte) Muitas coisas podem levar o casal a brigas e desentendimentos. Divergências sobre assuntos ligados aos filhos, ao lar, às finanças, questões pessoais. É comum o tempo fechar por causa da má vontade ou insociabilidade de um cônjuge com a família do outro. Um exemplo: uma irmã dele liga e diz que vem com o marido e as filhas para uma visita. Ele fica feliz. Só que, ao contar à mulher, esta nem termina de ouvir e já diz que não, que devia ter sido consultada antes, que não vai passar o tempo na cozinha, que não quer nem saber.
Ele fica chateado, numa sinuca, porque não quer contrariar ninguém. Qual a saída? Ligar para a irmã e pedir que não venha? Taí um fato que revela que o espírito do casamento não foi absorvido. Se um não pode contar com o outro numa situação dessas é porque o amor já era. Do contrário, a mulher diria ao marido que não tem problema, podem fazer algo legal. Se o casal se dá bem, um não vai querer jogar o outro contra a própria família. Afinal, antes de se conhecerem, cada um já fazia parte de uma família.
Exceto os fatos que superam a capacidade humana, tudo pode ser vencido ou, melhor ainda, evitado se cada um tiver consciência do que é que está em jogo e é mais importante. A visão e compreensão das coisas precisa ser ampla. Se os cônjuges têm real noção importância de um para o outro e da grandiosidade do casamento, os problemas e dificuldades são enfrentados na boa e, ao invés de abalar, fortalecem a união. Unidos na alegria e na tristeza, não foi o compromisso que assumiram? O casal precisa de momentos íntimos, o que vai muito além de meros encontros eventuais para satisfazer a necessidade sexual. Intimidade não é só sexo. Brigar é perder tempo. Diminuam-se os atritos e sobra mais tempo para a mútua curtição, os carinhos, os afagos, o namoro, o cafuné. Certas barras os cônjuges têm de enfrentar juntos, com apoio mútuo. É incrível como se ganha forças ao ouvir: “pode contar comigo, estou com você nessa”. Casal unido, haja o que houver, não pede arrego, não desanima, morro abaixo, morro acima, na pertinácia, no apego, o distante se aproxima, o azedo fica doce, limão galego vira laranja-lima.

Respeito não pode faltar. Para receber é preciso dar. Toda dificuldade de respeitar uma pessoa se dissolve se a gente toma consciência de que não é melhor do que ela. Um pedido de socorro à senhora humildade ajuda. O desrespeito é a revelação da soberba, de certo complexo de superioridade, da falsa ideia de que a outra pessoa tem menos valor. Desrespeito é desamor. Discordar até pode, desrespeitar não. Casamento não é disputa. O cônjuge é a pessoa que a gente coloca dentro do coração, tranca e joga a chave fora. É única. A gente gosta e alimenta esse gostar aceitando a pessoa com suas qualidades e seus defeitos, respeitando, tratando bem, esforçando-se para não deixá-la triste. E assim o gostar se engrandece e se eleva à categoria de amar. O amor ignora os defeitos porque está muito ocupado exaltando as virtudes. Em janeiro, diante do caos com as chuvas, o UOL fez uma pesquisa com os habitantes de São Paulo sobre continuar morando lá. 57% disseram que sairiam se tivessem condições. Esses certamente não se dão bem com a metrópole e seus problemas. Já os 43% que não querem sair são os que têm laços fortes de união com a cidade, são “casados” com ela e não querem separar-se porque, para eles, o que ela tem de bom supera o que tem de mal.

Para a pessoa amada a gente dá o melhor que pode dar, corteja, agrada pelo simples prazer de agradar. Ela é especial e como tal deve ser tratada. Os bons pensamentos, sentimentos e ideias não têm valor nenhum se não saem da órbita psíquica, se não são mostrados e demonstrados. O gostar se revela no diálogo, no envolvimento, na harmonia, na suavidade da fala, no toque carinhoso, no abraço gostoso. Tem de exalar, emanar; não ficar retido. Não se deve perder oportunidade de amar. A vida passa depressa. Não é nada agradável a sensação de que a maior parte do tempo foi desperdiçada. Lá na frente, a satisfação será sentir a alegria de ver no balanço que houve muito mais momentos bons do que ruins. Não sou utópico. Aos casais que fazem bodas de prata, de ouro, perguntem se estão arrependidos. Enfim, o casamento é uma ótima oportunidade para evoluir, enriquecer a existência, para a pessoa demonstrar que é um ser pensante, que é muito mais do que alguém que vaga ao léu e só se importa consigo mesmo, errante sob o céu.

Paulo Pereira da Costa, promotor de Justiça e autor do livro “Pensando na Vida” paulopereiracosta@uol.com.br

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