Artigos > Artigos > Lula e Cuba

Lula e Cuba

Publicado por admin em 06/03/2010 (60 leituras)
Cuba é a maior ilha da América Central. Constitui-se num país, historicamente, talvez, que mais tenha sofrido ataques, achaques, saques e suportado várias modificações políticas e sociais. Neste espaço, obviamente, não cabe a descrição de todos os fatos, senão apenas destacar alguns deles.

Descoberta a América no Século XV, apesar de, antes, ser visitada por variada gama de navegadores marítimos, a exploração espanhola, principalmente, tirou dela o máximo possível de suas riquezas. A ilha transformou-se em porto para transações comerciais (produtos da cana de açúcar) e serviu também, ao lado das ilhas New Providence (nas Bahamas), Tortuga, Hispaniola e Jamaica, para albergar piratas e corsários de várias nacionalidades, bandidos que se ocupavam em, ferozmente, atacar e roubar cidades, navios e cargas do comércio espanhol, inglês, francês, holandês e português, cujo butim se dilapidava em bebedeiras e prostituição. A pirataria ou o corso (pirataria autorizada) teve fim por volta do Século XIX, mas ainda hoje persiste em moldes modernos e sofisticados.

Empregando abusivamente a doutrina Monroe (James Monroe), Henry Clay, em 1820, entendia que o destino dos ianques era dominar todo o continente norte-americano, inclusive as ilhas ao largo da costa. Assim, por exemplo, os EUA, promovendo sua sanha expansionista, anexaram o Texas (1845), o Oregon (1846), o Alaska (1847) e o Havaí (1897). A Flórida foi adquirida à Espanha. Às vésperas da Guerra Civil, o Sul dos EUA forçava à aquisição de Cuba, e o Norte à anexação do Canadá. Também o istmo do Panamá não escapou (início do Século XX).

Durante o governo Roosevelt, Cuba cintilava aos olhos dos norte-americanos, constituindo alvo estratégico na guerra contra a Espanha, visto não interessar aos ianques – e aos cubanos também - o domínio espanhol no território e, a pretexto, a hostilização à autonomia da ilha. Mais tarde, os EUA, durante anos, fizeram de Cuba seu quintal, sua “colônia”, explorando-a sob todos os aspectos, desde o turismo até o comando político e econômico corruptos. Fulgêncio Batista, último representante protegido e submisso aos interesses dos EUA, foi derrubado em 1959 por Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara, em batalha travada em Sierra Maestra, seguindo-se a implantação de forte regime socialista totalitário, elitista, baseado no controle e no governo de partido único, na liderança pessoal, na utilização de força e repressão, na tentativa de unificar a nação em torno de temas de ideologia forte, no nacionalismo exacerbado, na subordinação de todas as atividades ao Estado e ao partido. Note-se que nas décadas de 1950 e 1960 muitos líderes coloniais dedicavam interesse no marxismo ou leninismo, sendo a revolução uma mera questão de organização política ou uma questão de liderança capacitada para explorar e ordenar a indignação moral dos colonizados contra o poder senhorial instalado.
Castro e Guevara perceberam esta base para traçar e pôr em prática a revolução: a proximidade dos EUA e seus interesses “coloniais” na cooperação de regimes despóticos e corruptos era o mote para o ressentimento e a indignação moral do povo cubano.

A tomada do poder por Fidel Castro foi extremamente sangrenta. Muitos opositores ao novo e autoritário regime foram levados ao malsinado “paredón”, onde eram executados em nome da “Revolución”. Há quem atribua a Fidel Castro, inclusive, o desaparecimento prematuro e violento de Che Guevara, carismático ideólogo de esquerda e guerreiro revolucionário.
Implantado o modelo fortemente socialista de governo em Cuba, Fidel arrogou-se “Comandante de la Revolución”, enquistando-se ditatorialmente no poder.
Não tolerando qualquer espécie de dissidência, decretou ódio aos EUA, passando a receber aporte econômico e militar da ex-União Soviética (liderada pela Rússia). Notoriamente, passou a servir ao sovietismo como ponto estratégico-político-militar, exportando ensinamentos, utilização de armas, treinamentos, táticas e planejamentos militares para fomentar a guerrilha e guerras noutros países, visando ao fomento da expansão do regime comunista, máxime à força. Muitos brasileiros, motivados por ideologias que tais, rumaram a Cuba para se instruir na ideologia socialista, bem como na arte da guerra e da guerrilha, trabalhando gratuitamente ou por pagas irrisórias, em canaviais produtores de açúcar para exportação. A ilha continuava sua saga de dependente.

Castro perpetuou-se no poder promovendo “reeleições” contínuas através de um processo eleitoral canhestro, pseudo-democrático. Apoderou-se do comando da nação impondo-lhe, sob severa repressão, obediência irrestrita ao regime, modelo que levou Cuba a um desenvolvimento econômico pífio, agravado pelo malsinado embargo econômico orquestrado pelos EUA. Muitos opositores ou desencantados com o regime abandonaram a ilha em direção à Flórida (EUA) e a outros países, em fugas dramáticas e perigosas, o que ainda sucede pondo a nu a dissidência a um regime ditatorial violento e punitivo de liberdades humanas, individuais, máxime de pensamento. Notável, por outro lado, a ausência de quaisquer oportunidades para o desenvolvimento individual e coletivo das pessoas.

Apesar do regime ditatorial de Fidel, de certa forma houve algum avanço na ilha: na medicina, no esporte. O analfabetismo, até onde é sabido, foi erradicado. A música ibero-africana continua extremamente agradável.
O carisma do “Comandante” fez e faz a cabeça de muitos, como, entre nós, Lula, seus companheiros e seguidores, Chico Buarque de Holanda, Frei Beto, inúmeros políticos e demais outros. Na América do Sul, Hugo Chávez o endeusa e Evo Morales dedica-lhe absoluto respeito. A própria queda do “Muro de Berlim” não resistiu ao totalitarismo castrista, lembrando-se que a partir dela tenha sido totalmente retirada do aporte soviético, que se já vinha mitigando. Entretanto, nada consegue retirar Cuba do marasmo econômico, que, substancialmente, se sustenta em um turismo estrategicamente delimitado geograficamente, longe da miséria e da fome que grassam no país adentro, cujo povo sofrido ainda reside em imóveis precários e promíscuos. Curiosamente, ou por ausência de alternativas, mantém veículos das décadas de 1950 e 1960 (na maioria dos EUA). Certamente, somente o “El Comandante” e seus acólitos locais gozam de boa qualidade de vida.

Certa vez, alvíssaras!, Castro, octogenário, anunciou sua “renúncia” a concorrer ao poder! Expectava-se, assim, a implantação da democracia, a revitalização e o avanço na ilha, máxime nos campos político e econômico, com o retorno gradual dos refugiados. Debalde, visto mantidos o regime ditatorial, a intolerância e a punição aos dissidentes políticos, assim como as ofensas aos direitos humanos.

Recentemente, Lula, durante sua visita a Fidel e Raúl, passou por momentos confessada e significativamente constrangedores. Orlando Zapata Tamayo, um pedreiro cubano, acabara de morrer na prisão, vítima de “greve de fome” levada em protesto contra o regime ditatorial castrista. Como é sabido, há inúmeras pessoas encarceradas, jornalistas inclusive, vivendo em condições subumanas e sob tortura nas prisões cubanas, tão só porque manifestamente intolerantes ao tacão dos Castros e seus seguidores. Em suma, a morte de Orlando Zapata franqueou a verdade.

Raúl Castro, o atual presidente, em ato açodado e nada inteligente, adiantou-se em prestar declarações à imprensa atoleimada, acerca dos fatos ocorridos. Seu pronunciamento, no entanto, escancarou a flagrância confessiva da existência, na ilha, da velha e violenta repressão política e ofensora dos direitos humanos. Por outro lado, restaram equivocados e hipócritas os lamentos expressados por Raúl e Lula pela morte de Zapata, cidadão emblemático, na atualidade, da dissidência ao regime totalitário dos Castros, que não cede ao clamor pela obediência aos direitos humanos.
Caso Dilma (Luíza, Patrícia ou Wanda) Roussef, ex-guerrilheira e vinculada à esquerda radical, tome o poder, inevitável será a continuidade do apoio aos Castros e a todo regime totalitário e sangrento, o que manterá o Brasil mais isolado no mundo do trato internacional. Ainda mais tendo a tiracolo o PNDH-III. A futura visita de Lula ao Irã, do ditador Mahmoud Ahmadinejad, prenuncia e prova incontestavelmente a assertiva.

Francisco Gonçalves Neto é advogado e consultor jurídico (e-mail: f.netogoncalves@ig.com.br).

Navegue pelos artigos
Prévia do artigo Dilma a Gerente Propriedade intelectual: seu valor no mundo das idéias Próximo artigo
Rating 1.00/5
Rating: 1.0/5 (1 vote)
comentários em Disqus

As últimas notícias que você não leu

Open in new windowA coluna Caldeirão Político, do Capiau de Piracicaba, é uma retrospectiva da semana politica na Noiva da Colina. São detalhes que, na maioria das vezes, deixam de ser manchetes, mas valem até mais que uma matéria especial.

Caldeirão Político   

O resumo da semana política, todo sábado.


Nuvem de Tag

2010 36 mil exemplares acipi brasil Capiau Charqueada Copa Paulista cultura câmara edição especial edição revista educação emprego entrevista erich vicente esporte evaldo vicente Futebol grafites greve H1N1 livro Lula Mombuca nacional piracicaba Política Prefeitura Rio das Pedras saúde são paulo São Pedro teatro tribuna turismo veículo veículos vitória XV Águas de São Pedro

Publicidade

Publicidade