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Silêncio. Foi a forma de responder a imprensa quando questionado sobre o artigo de FHC publicado no Estadão, em relação ao PT
Foto: Divulgação - Cotado para ser o próximo candidato a presidência, o tucano José Serra, no momento, segue a linha do ‘silêncio’ quando se trata de embates entre PSDB e PT

Carolina Freitas Da Agência Estado
Em meio ao embate entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, o possível presidenciável tucano, governador José Serra, calou-se. Questionado ontem sobre o artigo de FHC publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" - e as reações acaloradas que o texto provocou entre petistas -, Serra manteve o silêncio, sua estratégia desde que passou a ser cotado a candidato à Presidência. Virou as costas para os repórteres e encerrou a entrevista coletiva. "Eu não vou falar sobre isso", acrescentou pouco depois, diante da insistência dos jornalistas, enquanto visitava a recém-inaugurada Biblioteca de São Paulo, no Carandiru, zona norte da capital paulista.
Restou ao próprio Fernando Henrique seguir no papel de porta-voz do discurso tucano. O ex-presidente, que não participava de eventos do governo do Estado há cinco meses, foi à inauguração da biblioteca estadual e deu o recado. "Precisamos de gente competente, que não roube e que inspire confiança. Ela (Dilma) não é líder. É reflexo de um líder. Serra, está provado, tem competência, é um líder e inspira confiança. A outra, para mim, ainda não", disse antes da cerimônia. "Se (o PT) quiser comparar, a gente compara, desde que seja no contexto. Não há o que temer." O ex-presidente apoiou até o silêncio de Serra. "O PSDB é que tem de se posicionar. O governador tem de esperar um pouco."
FHC chegou no horário marcado para início da cerimônia, concedeu entrevista de 8 minutos e circulou entre o secretariado de Serra e parlamentares tucanos. Foi embora antes da chegada do governador, com 1h15 de atraso, e, portanto, antes da inauguração do espaço. A última vez que o ex-presidente compareceu a um evento de Serra foi na inauguração do Espaço Minas Gerais, na capital paulista, em que o paulista e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), tentaram mostrar convergência em meio a uma disputa nos bastidores pela indicação do partido para disputar a Presidência da República.
A aparição de Fernando Henrique ocorre uma semana depois de uma pesquisa de intenção de voto ter mostrado crescimento de Dilma. De acordo com levantamento da CNT/Sensus, a diferença entre Serra e a petista caiu de 10,1 pontos porcentuais em novembro para 5,4 pontos em janeiro. Os petistas prometem, para atingir Serra, criticar o governo FHC (1995-2002) durante a campanha eleitoral deste ano. Mesmo assim, o ex-presidente havia se mantido calado até agora.
Fernando Henrique negou que sua presença na inauguração de hoje faça parte de uma estratégia política. "Não vou geralmente a inaugurações porque não tenho tempo. Eu vim porque o João Sayad, secretário estadual da Cultura, me mandou um convite amável."
Balanço da gestão - Serra aproveitou a inauguração da Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, onde ficava a Casa de Detenção do Carandiru, para fazer um balanço das ações de sua gestão na área cultural.
Em discurso de 22 minutos, Serra falou à plateia de cerca de 400 pessoas sobre museus, espaços de dança, centros culturais e iniciativas como a Virada Cultural, que tomou quando prefeito de São Paulo. "E olha que nem estou mencionando as coisas que fizemos no interior do Estado", gabou-se, após falar 17 minutos sobre os feitos de sua administração.
O governador destacou ainda sua relação com os livros, desde a sexta série do ensino fundamental até o doutorado nos Estados Unidos. "Para mim, biblioteca foi algo decisivo, que acompanhou toda a minha formação intelectual e de conhecimento."
Sobre a biblioteca recém-inaugurada, o tucano falou por 4 minutos. A construção do espaço custou R$ 12,5 milhões, sendo R$ 2,5 milhões do governo federal. Diante do secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Americo José Córdula, Serra citou o investimento da União, mas deu destaque aos méritos do Estado. "Vamos manter a biblioteca. São R$ 5 milhões por ano, ou seja, em dois anos é quase o preço da biblioteca, que vai ficar por conta da Secretaria da Cultura".
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