Tópico: Grafites
Na jornada do etanol, falta saber o que o governo quer
em 15/10/2009 02:00:00 (177 leituras)

O governo está entorpecido pelo pré-sal

Erich Vallim Vicente
erich@tribunatp.com.br

As pancadas contra o setor sucroalcooleiro, principalmente no segmento de energia, onde disputa espaço com etanol e o biodiesel, serviram para criar o que se chama de “casca grossa” em grande parte dos representantes da cadeia produtiva. Diferente de uma visão ufanista de anos atrás, agora sob a tutela da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), presidida por Marcos Jank, a visão estabelecida é de maturidade, com ações bem definidas dentro do país, com pedido de marco regulatório, e lá fora, com um discurso de convencimento afiado contra os detratores do etanol como alternativa verde.

No Brasil, a Unica realizou ontem, em Brasília, o seminário “O setor sucroenergético e o Congresso Nacional: construindo uma agenda positiva”, como noticiou A Tribuna Piracicabana (página A13, edição de ontem). Já longe das amarras de governos, Marcos Jank apresenta o desejo do setor em estabelecer diretrizes para não depender das “canetadas” do setor público. “Até o pré-sal, que na prática nem existe ainda, já está com seu marco regulatório sendo discutido”, enfatiza Jank, ao repórter Eduardo Magossi, da Agência Estado. “O etanol existe há 34 anos e não possui regras claras”.

Olhando para o plano internacional, a discussão é em torno da Conferência das Partes (COP-15), marcada para dezembro, em Copenhague (Dinamarca), onde o desafio é convencer de que o etanol da cana-de-açúcar, diferentemente do produzido a base de milho, não interfere na produção de alimentos. Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, aponta que a estratégia do setor é “bater na consciência” das entidades multilaterais que estarão presentes ao evento. “Ocupar terras com plantação de milho para etanol também reduz as emissões de CO2, mas pode levar à pobreza, o que não acontece com cana”, disse em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Essas iniciativas, todas fruto de vontade de entidades de classe, mostram que o setor caminha para uma maturidade “nunca antes vista” em seus ambientes. Diferente do Pró-Álcool dos anos 1970 ou mesmo do ufanismo exacerbado de períodos mais recentes, a defesa do etanol como alternativa de combustível no mundo deve ser baseada em dados empíricos porque, a cada ano, a verdade a respeito deste produto favorece a produção brasileira. Porém, ainda falta uma clareza maior do governo federal sobre qual a importância do etanol na estratégia política e de influência no mercado internacional. Entorpecido pelo pré-sal, o governo não tem acompanhado a evolução do setor.

DILMA I
A ministra Dilma Rousseff mostrou ontem, em encontro com cerca de 1,5 mil pessoas – de acordo com a Polícia Militar da Bahia – na visita a obras de recuperação do Rio São Francisco, que ainda é um pouco tímida e sem jeito para uma candidata. Chamada por pessoas que se aglomeravam para ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua comitiva, Dilma foi até elas. Tirou fotos, abraçou alguns, mas sem o vigor dos candidatos que se "jogam nos braços do povo". Logo se afastou.

DILMA II
Embora ainda tenha dificuldades em se aproximar do povo, Dilma estava bem à vontade no meio das autoridades, quando fez junto com o presidente Lula um passeio de barco de cerca de vinte minutos pelas águas do São Francisco. Entre os presentes, havia promessas de voto nela justamente por ter sido indicada por Lula. "Eu voto em quem o presidente pedir", proclamava Rita de Cássia Vieira dos Santos, de 39 anos, mãe de sete filhos, desempregada, dependente dos R$ 80 que recebe do programa Bolsa-Família.

QUÉRCIA I
O presidente estadual do PMDB e ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, disse ontem em Santos, litoral sul paulista, que é contra a decisão do PMDB de apoiar o PT e a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República em 2010, mesmo que seu partido tenha mais poder em um terceiro mandato petista. "Isso (mais poder em um governo petista) seria mais negativo para o partido. Não seria bom para o PMDB. Vamos tentar fazer com que isso não seja possível", disse.

QUÉRCIA II
De acordo com Quércia, visto que o PMDB não tem um nome forte do próprio partido para concorrer à presidência no momento, a melhor opção é apoiar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). "Eu acho que seria melhor para o País que houvesse uma mudança no governo federal, que houvesse possibilidade do Serra ser presidente", disse. Quércia afirma que já está trabalhando em prol do apoio a Serra e que, além do diretório paulista, os diretórios do PMDB de SC, PE e RS também apoiariam o tucano.

RURALISTAS I
Parlamentares ruralistas venceram ontem a primeira batalha de uma guerra que promete ser barulhenta. Um representante do setor, o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), foi eleito presidente da Comissão Especial de Meio Ambiente da Câmara que discutirá alterações no Código Florestal. A escolha não agradou os líderes do PSOL, Ivan Valente, e do PV, Edson Duarte. Agora, os minoritários pretendem angariar forças até que o relatório esteja pronto para ser levado à votação no plenário da Câmara.

RURALISTAS II
"Teremos de mobilizar a opinião pública para que o plenário não aprove o documento", disse Valente, para quem os ruralistas fizeram um "acordo espúrio" para eleger Micheletto presidente da comissão – o deputado recebeu 15 dos 18 votos válidos. Valente espera contar com o apoio de ONGs, de movimentos sociais e da Igreja Católica para evitar que mudanças drásticas no Código Florestal sejam aprovadas. "Até onde os ruralistas pretendem mudar o Código Florestal?”, disse Edson Duarte.


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