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Espetáculo cênico-musical visa relembrar que classe artística, em meio a repressão do regime militar, produzia cultura de alto nível
Erick Tedesco
Cultura e política, apesar de universos distintos, são projetados em paralelo quando o assunto é a ditadura militar que regeu o Brasil de 1964 até meados da década de 80. Com o suporte de vasta pesquisa histórica sobre o assunto, a Companhia Pró-cênica apresenta hoje, às 21 horas, no Teatro Unimep, o espetáculo cênico-musical “Festivais 60’s: A Era de Ouro”.
Formado por universitários e pessoas que se dedicam exclusivamente às artes cênicas, a Cia. Pró-cênica conta com o apoio da Tusp (Teatro da Universidade de São Paulo) e do Núcleo de Cultural (NUC) da Universidade Metodista de Piracicaba para a realização deste espetáculo, que é encenada com figurino típico e, segundo o ator Vitor Medina, atrelados ao bom senso de não fazer apenas arte “jogada”, mas sim com conteúdo, crítico, e claro, que proporciona cultura e diversão.
De acordo com a produção do evento, o objeto é promover um resgate histórico dos festivais de música brasileira, que marcaram época nos anos 60 e lançaram músicos e compositores aclamados até hoje, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. “É também mostrar que, apesar de existir repressão e censura por parte do governo, borbulhava idéias entre a classe artística da época”, opina Medina. Ele revela ainda que o grupo leu e pesquisou muito sobre o tema para enfim conceber o espetáculo.
Composto por sete atores e oito músicos, este é um espetáculo cênico-musical, um evento multicultural, com explica Medina: “Além do grupo de teatro, ainda teremos no palco uma banda tocando ao vivo comandada pela cantora Patrícia Moreno, uma das idealizadoras deste projeto, além de um telão ao fundo que projetará imagens relacionadas aos grandes festivais musicais dos anos 60”. E as expressões artísticas acontecerão interligadas e simultâneas. Dentre as representações, ganham espaço as discussões em bares, típicas do período, e as disputas entre as torcidas durante os festivais. Já a composição sonora traz clássicos como “Arrastão”, “A Banda”, “Disparada”, “Domingo no Parque”, “Roda Viva”, “Alegria, Alegria”, “Travessia”, “Sabiá”, “Pra não Dizer que não Falei das Flores” e “Divino Maravilhoso”, músicas que marcaram as edições dos festivais.
Como ressalta Medina, o assunto “ditadura militar” no espetáculo é abordado sem sensacionalismo. Para defender uma visão imparcial sob este período da história do Brasil, o ator diz que o tema é abordado para fazer o público perceber que mesmo durante a repressão instaurada pelo regime, a cultura aparecia em TVs, rádios e era reacionária, isto é, fazia críticas sociais e estimulava o senso de realidade da população, o que, para ele, não acontece por parte da mídia na atualidade.
SERVIÇO “Festivais 60’s: A Era de Ouro”, hoje, às 20h30, no Teatro Unimep (Rodovia do Açúcar, quilômetro 156). Ingresso: R$ 10 e R$ 15. Informações: 3124-1603.
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