Dicionário cristão (1)
em 12/09/2008 23:10:00 (1344 leituras)

O homem não foi criado para servir as palavras: são elas que nos devem servir

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O que são palavras? Para que elas servem? Dicionário Cristão é um compêndio verbal de uso cotidiano da civilização cristã. O primeiro livro da Bíblia narra que “Deus deu aos cuidados do Homem todas as demais criaturas e que este, a partir de então, começou a dar-lhes nomes”. A Neurociência, hoje, através de testes de lesões cerebrais, sabe que o cérebro humano tem uma região específica para esta função, que é a nomeação. Nomear, portanto, é realmente um dom para nossa espécie.

FUNÇÃO
A função das palavras, dos nomes de cada coisa, é só uma: facilitar a comunicação para si mesmo e para os outros. Em suma, clarificar o pensamento. No entanto, como as palavras podem perder seu sentido original ou incluir novos significados, nem sempre elas cumprem o seu papel. A “Torre de Babel”, independente de ser ou não um fato histórico, não deixa de ser uma enorme crítica a esse mau uso das palavras. De qualquer forma, é bom lembrar que o homem não foi criado para servir as palavras: são elas que nos devem servir.

No Novo Testamento da Bíblia cristã, está escrito que existem três portas para a entrada do Inimigo, gerador de confusão, desarmonia. Vamos falar da terceira porta: vaidade, orgulho, soberba. Afinal, segundo os livros sagrados de todas as principais religiões do mundo, o orgulho, também chamado soberba, é a raiz de todos os males. Daí, a pergunta: “orgulho” é nome do que exatamente? Existe um amor-próprio envenenado dentro da gente que faz com que cada um, muitas vezes, prefira proteger a própria imagem a qualquer custo, mesmo mentindo e agredindo injustamente. Essa grossa raiz do culto a si mesmo recebeu o nome de ‘orgulho’. E soberba? É um outro nome do orgulho, como ‘arrogância’. Seria uma forma de falar do orgulho no seu visual estufado, esnobe, afetado. Soberba ou arrogância seriam o orgulho desmascarado.

Opondo-se ao orgulho com seus sentimentos, ímpetos e comportamentos de autopreservação apartados da justiça e da caridade, existe o que a gente chama de ‘humildade’. O que é humildade? De forma curta e direta, é nome do ‘culto à verdade’: é quando preferimos a verdade mais que a nós mesmos. E daí a razão do humilde não ser complicado, de ter facilidade de admitir um erro, pedir desculpas etc. Portanto, guarde, humildade não tem nada a ver com a forma da pessoa vestir-se, falar etc. Humildade não é vestir-se mal nem falar baixinho ou errado. Humildade não é simploriedade nem caipirismo. Afinal, tem muito simplório e muito caipira que são poços profundos de orgulho, que não admitem crítica, que são vingativos, grosseiros ao extremo.

HUMILDADE CRISTÃ
É bom lembrar, assim, que quando Nosso Senhor Jesus Cristo nos pede humildade, Ele nos pede para nos despojar de toda afetação, “pompomzisse”, esnobismo... e, especialmente, de toda hipocrisia, de toda falsidade; e não para sermos jacus, simplórios, jecas e algo do gênero. Ouça: uma pessoa jeca pode ser humildade ou não; uma pessoa elegante, a mesma coisa. Porque a elegância pode ser tanto fruto do amor a Deus, que nos pede que tenhamos respeito por nós mesmos e pelas pessoas que nos circundam, como pode ser a mesma fruta podre encontrada não só nos poderosos, mas também em tantos pobrinhos e em tantos “jecas tatus”. Os sintomas são sempre os mesmos! De um lado, excesso de sensibilidade que dá em comportamento vingativo e, de outro, criticismo, falta de mansidão, sensualidade agressiva, crueldade, excesso de malícia... E os efeitos também se repetem: dificuldade enorme de perdoar, gosto por humilhar, esnobar etc.

Assim, se você guardar o nome de cada coisa sem misturar seus significados, para diferenciar um ato de humildade de um ato de orgulho, siga a pedagogia de Sua Divina Majestade (Jesus): olhe os resultados, veja os frutos. Feijão só dá em feijoeiro; arroz, só em arrozeiro. A grande dica é que a humildade pertence à caridade; e o que nos diz o Evangelho sobre ela? Que ela é paciente, benevolente, justa, simples, desafetada, descomplicada. Mas cuidado! Também não confunda humildade com doçura, pois tem muita gente doce de temperamento, que esconde um tremendo orgulho! Gente doce mais falsa que nota de 3 reais! Não perca, portanto, o foco: o quanto a pessoa está preocupada em parecer o que é ou o que não é; o quanto ela aceita ou não correção; o quanto, enfim, ela tem de coração de criança.

CONSCIÊNCIA
Aliás, antes que cada um de nós seja condenado por ficar preocupado com os outros, façamos um bom exame de consciência, pois precisamos e devemos ser humildes. Sou eu que preciso ser humilde; é você que precisa ser humilde. Para que? Para sermos felizes, para sermos livres. Afinal, ter mágoa de alguém é ser prisioneiro do mal que ele nos fez; preocuparmo-nos demais com o que os outros pensam, idem. Ganhamos com a humildade; os outros também ganham em conviver conosco se a praticarmos. Quem gosta de conviver com afetados, hipócritas, desajustados, mentirosos, que criticam com facilidade, mas não suportam ouvir correções? Quem gosta de ser esnobado? Ou de ter inveja? Quer maior prisão? Mas... feitos de carne e ossos, descendentes de Adão e Eva que somos, não raras vezes sucumbimos ao mal... E o pior: contra nós mesmos...

Não nos desesperemos caso não consigamos ser tão humildes como gostaríamos. Mesmo porque até a humildade tem a sua desvantagem se apartada da Sabedoria! Quantas vezes, N. S. Jesus Cristo não teceu respostas a altura da malícia das perguntas que Lhe fizeram? Amar a verdade não significa ser idiota de manipuladores que querem nossa confissão para nos destruir! Também não nos acomodemos, claro. Afinal, a luta é a condição da vida: sempre teremos pela frente a opção de praticarmos a humildade ou o orgulho – o amor pela verdade ou por nós mesmos com injustiça –, o tempo todo, diariamente. Ora a vitória será nossa, ora pode não o ser. Sem pânico.

DICAS PARA SER HUMILDE

1.Quando alguém criticar você, antes de você se defender, procure analisar a veracidade da crítica, com calma. Esforce-se para não melindrar. Se admitir o erro significar a tua destruição, fique ao menos em silêncio e corrija-se o mais rápido possível: é a única forma justa de calar a oposição.

2.Quando alguém esnobar você, satirize-a sem sentir raiva da pessoa. Feche os olhos e mentalize a mudança da pessoa. O amor tem mais poder do que você imagina!

3.Quando achar que alguém não merece seu perdão, lembre-se que só será perdoado (a) por Deus se você perdoar.

CONCLUSÃO
Como a Doutrina Católica ensina, “não somos julgados pelo que somos – do contrário, ninguém seria salvo; mas por aquilo que realmente queremos ser e, nisso, esforçamo-nos com sinceridade e afinco para sê-lo”. E se a luta estiver dura demais, dobre seus joelhos com humildade e converse com Deus a respeito: desabafe com Ele – não tenho dúvida que quem a(o) fez conhece e entende você melhor do que qualquer outra pessoa. Experiência própria: não esconda nada, seja sincero(a). Deus é seu melhor Amigo.

PRÓXIMA SEMANA
Na próxima semana, conforme o interesse demonstrado pelo tema, por e-mails, telefonemas ou através do site de A Tribuna Piracicabana, continuamos a lembrar dos conceitos originais das palavras usadas pela civilização cristã. Obrigado pela tua atenção mais uma vez e que Deus abençoe você e sua família de verdade.

André L. R. Cardoso é cientista do comportamento, jornalista, escritor, locutor, cartunista e professor de Liderança Ética, na Escola de Música Artes e Melodias, onde é co-proprietário. Contato: artesemelodias@terra.com.br e (19) 3421-0272.


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